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reverie of a little planet

Eu não odeio o Natal

“Eu não sei por onde começar, existem muitas coisas das quais posso lembrar”

Sempre achei o natal muito lindo, esteticamente falando mesmo. Quando criança eu reparava muito em seu formato meio vermelho, meio verde, com plantinhas de plástico aludindo a algum pinheiro e sem falar nas embalagens lindas dos presentes que estava prestes a receber. O sabor dele era de canela e açúcar e o seu cheiro simplesmente aroma de chuva, bastante característico dessa época do ano em Manaus. Mas, o natal é, sem dúvidas, o que mais me instabiliza de uns tempos para cá.

Comemorávamos cheios, era bastante divertido! Talvez nem deveria ser tanto assim, mas crianças não precisam de muito para serem felizes, não? Minhas avós, meus pais, alguns primos e eu era o que bastava para tudo estar perfeito. O melhor momento era o de abrir os presentes, claro! Todos sempre dispostos debaixo da árvore. O primeiro vídeo game, o primeiro carrinho a controle remoto, a primeira bicicleta, os primeiros patins e a primeira câmera fotográfica foram todos dados em algum natal.

Uma das minhas primeiras memórias natalinas é o clássico da Disney “O Natal do Mickey Mouse” (Mickey’s Christmas Carol), lembro-me de assistir ao filme religiosas inúmeras vezes antes da ceia em todos os anos de minha infância com um primo meu; nem lembro quando foi a primeira vez que assistimos, mas isso tudo veio à tona na minha cabeça nesse ano quando comprei aleatoriamente o conto original por Charles Dickens, numa fajuta black friday.

Todos os medos e incertezas misturam-se nessa época do ano e é inevitável lembrar do filme, onde os fantasmas do natal representados pelo passado, presente e futuro, não tão repentinamente visitaram o Tio Patinhas e o sentimento é que todos os anos eles me visitam também.

Conforme os anos foram passando, as coisas foram mudando drasticamente. Hoje, enxergo que o natal não é mais o mesmo toda vez que vejo a primeira guirlanda suspensa na porta de algum vizinho todo fim de novembro. Vejo claramente aquela criança contente, tão linda e boba e como eu queria chegar nela, abraçá-la e falar para ela aproveitar cada momento daquela infância que estava sendo a melhor do mundo.

Olho para trás e sinto falta da minha avó materna  e de toda aquela magia da ceia. A felicidade que eu tinha, talvez seja esse o meu maior Fantasma do Natal Passado. Não sou ingrato, sou muito feliz por tudo o que tenho, sempre e sempre. Mas se eu pudesse, só mais uma vez, eu queria aquele natal de volta para mim.

Pensar em todas essas coisas me tira do eixo um pouco. Dezembro é um mês onde não tenho para onde fugir pois tudo está decorado, tudo está lindo e todos estão muito felizes. Como consequência do passado, enxergo o meu Fantasma do Natal Presente muito junto, atido e preso a algo que já foi e comparando o agora a algo que não nunca mais terá retorno.

Analisa-se o ano vivido, os planos alcançados e os que não tiveram sucesso, analisa-se a vida por assim dizer. Cobrança, cobrança, cobrança. É um sentimento azul, de natal azul, o qual eu não conseguia entender. Por muito tempo culpei a data comemorativa, me livrava de culpas; hoje sei que não funciona assim.

E o futuro? Ele está definido? Certamente não está. Meu Fantasma do Natal Futuro é o que eu inconscientemente fujo por medo da solidão, da vulnerabilidade e da incerteza de não ter nada. Vácuo. Pó. Sentir-se azul, frágil e sem sentido. É assustador pensar no natal daqui a alguns anos e com certeza, é por não querer pensar em como será o futuro que acabei por criar uma barreira de proteção ao espírito natalino, por não saber como tudo será.

Essa é a verdade, não odeio o natal! Eu apenas tive medo dele por todos esses anos. Estou ciente de que o primeiro passo para se livrar de fantasmas é perder o medo deles e encará-los, por isso, coloco a mim como meta para que o natal do ano que vem seja mil vezes mais alegre que este. Eu também sei que não estou sozinho sobre algumas inseguranças que essas época traz, para você eu digo: viva sem medo e seja feliz! Já estou repetindo incessantemente para reafirmar algo que já sei, que todo mundo tem o direito de ser feliz.

Pode doer como for e ser triste de alguma maneira, mas nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia (capitaram a referência?). O segredo é fazer agora porque assim o retorno vai ser incrível. Não negue as suas inseguranças e seus medos, você precisa deles para ser mais forte e para olhar para trás com orgulho de si mesmo por ter se superado. Sobre as pessoas que não estão mais aqui, pare de ficar se remoendo, elas também não gostariam de ver você triste numa ceia natalina.

Foi uma forma de botar para fora coisas que nunca conversei com ninguém. As palavras tem um poder libertador tão intenso que a minha animação para ir à ceia aumentou 90% do início do post até aqui! Espero que você tenha um ótimo natal e que seja muito feliz, seja lá quem for 🙂

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Sussurro

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E o que há de novo na vida dele quase quatro meses depois? Pois bem…

Entre perdas e ganhos, pensei na vida como ela é. Refleti sobre a minha existência e nada me tira da cabeça o fato de eu ser tão sortudo por ter tudo o que tenho e o quão culpado eu me sinto de ver que nem todo mundo a. tem b. sente-se grato pelo que tem; A felicidade e infelicidade alheia tem causando um efeito retroativo em mim, é como se eu absorvesse tudo e filtrasse um pouquinho de conhecimento aqui e mais um pouco desse ali e assim venho moldando-me nessa vivência louca.

A minha rotina virou do avesso e estou eternamente grato por isso. Engajei-me em outro curso da área da comunicação social e, agora, além de estudante de Relações Públicas, sou estudante de Jornalismo em outra instituição. Muitos perguntaram-me os motivos para a grande “mudança”, a esses eu respondi que eu nasci pra seguir adiante, a simples certeza de estar não me é nata, não gosto disso. Preciso de ar.

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Cada lugar teu, pai.

Aquele foi o momento em que o mundo não era tão enorme e eu conseguia enxergar tudo. Foi o momento em que meu pai era um herói e não apenas humano.

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De todas as pessoas do mundo, quem nunca enxergou seu pai (ou pãe) como a figura mais invencível já existente? Eu, por mim mesmo, acuso ser algo totalmente contemplável a minha realidade. Ele é o meu cais, onde sempre sei que vou poder voltar e além de tudo, sei que se eu não conseguir voltar por alguma razão maior, ele vai lá me buscar, enfrentando qualquer um.

Ele sabe de cor cada lugar meu.

Pais são seres especiais, seres que te fortalecem quando tu precisas e até mesmo quando tu não precisas, eles te encorajam daquela forma carinhosa que, por mais que pareça um carão, é repleta de amor e um pouco mais desse. Pais são as suas primeiras referências de futuras profissões no ensino fundamental, são as pessoinhas que te faziam brilhar os olhos quando os coleguinhas curiosamente perguntavam sobre as suas funções. Pais, além de pais, são amigos! Daqueles amigões de verdade, que sabemos nunca vão nos decepcionar e mesmo que eles os deixem tristes, foi com eles que aprendemos o perdão.

Poderia elencar mil e tantos motivos para falar o porquê dos pais serem tão apaixonantes, mas o que importa é que cada um sabe para si o que esse protagonista faz de tão especial para cada história. Espero um dia ser 25% do que o meu é para mim.

Como o meu mesmo disse hoje “somos nós dois na vida” e essa é a certeza que eu sempre terei em toda minha breve existência e eu sei que com esse cais eu nunca vou ter medo de naufragar;

Porque eu sei de cor cada lugar teu e eu te amo por isso, pai.

Vamos dar uma volta no planetário?

Um blog, ou tentativa de um, ou a tentativa de uma outra tentativa de manter um, talvez seja essa categoria a que se aplica esse espaço que está nascendo hoje. Anos e anos de procrastinação fizeram com que eu tomasse vergonha nessa face (ainda) jovem e resolvesse de uma vez por todas começar a produzir conteúdos fora das mídias sociais de autoafirmação de ego onde todo mundo é PhD, reclama de tudo e também esbanja riqueza por aí.

Planetariano, traduzido e declinado livremente do jogo Planetarian pela Visual Arts Key, o qual pretendo fazer uma resenha sobre a história em algum momento e explicar o porquê com mais precisão disso levar o nome do meu blog e me inspirar tanto no dia a dia.

A verdade é que eu sempre fui um fanático pelo desconhecido, sei lá o porquê, eu era daquelas crianças que assistia a desenhos animados e me perguntava o que os personagens faziam durante os intervalos de um dia, de um episódio a outro; Na minha cabeça infantil, personagens de desenhos animados eram como atores de filmes, eu já tinha ciência de que um ator tinha uma vida fora daquela obra, então por que não o mesmo com desenhos 2D, oras?

Buscando o desconhecido desde minúsculo encontrei as estrelas ali em cima, naquela imensidão fascinante e sombria, aquilo sempre me fez sentir tão, mas tão pequeno e feliz de certa forma, eu não entendia o porquê delas brilharem tanto, hoje eu sei que o brilho que vemos é o que sobrou de uma estrela, ela já se foi mas deixou de lembrança esse registro cósmico para que crianças, como eu naquela época, pudessem fazer desejos bobos como ganhar um vídeo game novo, passar de ano ou fazer aquela viagem de família.

“Pai, me leva lá!” apontando pro céu eu dizia. Meu herói nem deve se lembrar dessas coisas, mas a minha maior qualidade assim como defeito é a memória, ótima e traiçoeira que tenho.

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Óbvio que ele não me levou lá, né? Mas paizão que é, tratou de conseguir uma para mim com o meu nome escrito para que eu não tivesse de me arriscar como pequeno cosmonauta que tentava ser.

Esse foi o marco da minha alfabetização, presente querido que guardo até hoje e foi a partir dali que o desconhecido se tornou além de tudo um motor para que vivesse os meus dias mais intensamente e sempre tentando aprender algo novo.

Eu não sei que rumo tomar ou qual rumo tomará esse site, mas podem ter certeza, sejam lá quem forem, que escreverei com muito carinho tudo o que aqui estará escrito, espero que esses devaneios de um pequeno planeta toquem alguém de alguma forma. 🙂

Iz.

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